"...O cheiro do silêncio é tão velho..." (Milosz) Ah, de que silencios precisamos nos lembrar na vida que passa! ...(Bachelard)
Refletindo com o filosófo-poeta Gaston Bachelard , nos diz ele, como é difícil situar os valores de ser e de não-ser. onde fica, onde se encontra o silêncio, na glória do não-ser ou na dominação do ser, pergunta-se. O silêncio é profundo, enfatiza, onde encontrar, onde está a raiz de sua profundidade? Onde encontrá-lo, nas fontes que vão nascer, no universo que reza suas preces ou no coração do homem? pergunta o pensador-poeta.Onde devem abrir-se os ouvidos que escutam, a que altura do ser? E, Bachelard cita um breve diálogo entre Violaine e Mara, em "L'annonce faite a Marie" onde algumas palavras estabelecem a Ontologia do Invisível e do Inaudível para ele. - Violaine (cega) - Estou ouvindo....
Mara - Ouvindo o que?
Violaine - As coisas existirem comigo.
Bachelard diz ser esse toque tão profundo que deveríamos meditar longamente sobre um mundo que existe em sua profundidade por sua sonoridade...um mundo cuja existencia toda seria a existência das vozes... ( a voz pode testemunhar as mais fortes realidades),as certezas , com numerosas provas, de uma realidade que une o homem e o mundo....
Ref.bibliográfica
BACHELARD, Gastõn. A Poética do Espaço. Editora Martins Fontes, SP, 2000, fls.185