Um gole de chá quente, a cadeira vazia, bruma nos olhos, caíam os versos no chão, enquanto o silêncio dependurado pelas paredes fazia acrobacias tentando faze- la sorrir, não adiantava pegar o pincel àquela hora, o tempo desnutrido lhe gozava de seus sentidos, pilhérias sopravam, rabiscou ali mesmo onde estava com o desgastado lápis no vento que lhe contraia a alma, o vazio da cadeira que tinha muitos nomes, ela pulsava entre enrodilhados traços
, rostos impressos em favas eternas emergiam entre as sombras, guerreiros de uma semeadura indómita, todos ali sentados em cadencias ritmicas sob o mistério , ela tambem nota fragmentada na prancha, agora inscrição no espaço de um unico ponto do olhar, ali rabisco no colo do vazio , pesada ausencia entre os braços rusticos, de madeira bruta, de séculos ancestrais daquele espaço pulsante que respirava também sob a luz raios fugidios, asas manchadas pela escuridão da falta... assim, mesmo que o vento demolisse os tijolos das horas jamais apagaria aquele vazio onde os sonhadores professam...