Respirava o silencio do vaso no centro a grande mesa, tela manchada, aquele cântaro insólito com uma flor na água, ela tinha memorias vividas, ceias com cheiro de séculos outras tão próximas com pratos sonoros rebatendo vozes de sinos entre talheres, com olor de alfaias entre temperos e bocas que se abriam e fechavam quais túneis engolindo neblinas e claridades mas sempre resguardando a densidade escura do incognoscível, ela fotografou a saudade sentada nas cadeiras, os risos e as mancheias dos instantes entre os irmãos do tempo que se fartavam, cronos sabia da gula de cada um, do que escreveriam com suas vidas cada um dos seus passos e todos se fartariam juntos ou separados em muitas ceias em muitas mesas que se repetem aqui ou alhures e entre eles não haveria distancias mesmo daquele que muito falava de puro amor mas, que seus pes pisavam nas sebes das moedas de trinta dinheiros, tambem este sentara à mesa entre eles tantas vezes, agora o silencio da tabua rustica da mesa rescendia o peso do vazio de um chao aspero onde nao haviam pratos cheios, a mesa podia ser chão onde os pés descalços marcam fendas da fome, a mesa as vezes tem teto lúgubre com odor fétido de restos guardados, onde nao refulgem estrelas, a mesa pensa, chora, as vezes como terra árida esfomeada ainda respira , outras vezes vazia num canto qualquer de um comodo do mundo so tem um vaso insólito por testemunha , a fumaça letal de um cigarro queimando num cinzeiro de bronze ou barato, como um crocodilo a espera ,a boca imensa, com sua mítica sombra entre quatro colunas, entre quatro paredes... uma mesa tem colunas como templos, casas, é encontro mas, enquanto a flor murcha no insolito vaso sem toalha de renda ,de plastico, o cigarro em muitas tendas queima a dor , o silêncio e alguém pode bater à porta e ter chegado atrasado a sua cadeira ,ultimo dia de sua uma última ceia .. .a mesa continuará sendo posta em grandes pinceladas mesmo ofegantes há que a tela nunca deixe de respirar.....