Revendo lugares por onde passeavam, tinha a sensação de se dissolver entre aquelas árvores, aquela alfombra verde da grama, aqueles coqueiros , aquele pulmão verde da paisagem...seria tudo realmente real ou o irreal era sentir-se junto dele, aquele arquétipo, metáfora de um sentimento tão estranho que caminhava nela além das reticências... Sentia uma dicotomia entre o sentimento por ele e o que as palavras não traduziam, Saramago diz que não se sabe o que é o amor, que o amor está no inefável, no indizivel,ponderou estar na não linguagem da palavra , outra dimensão, experienciou, naquela hora, naquele lugar, não tinha tradução semântica, estar ali com ele, sentir aquele ser que lhe tomava era um estado impronunciavel, estavam em um instante cosmico único sob o mesmo crisol nao tinham olhos de antropofagia sensual, eram apenas ser com outro e sua paisagem, instante de uma transcendencia afetiva, alquimica, como se explicava isso não compreendia, pensava nenhum sábio conseguira decifrar esta natureza (canora) de escutar o canto do outro em si, sentindo tempo e espaço em infindas dimensões, mesmo depois de um longo beijo com que a vida os selava e também os separava...