Aquele corpo da tela/fragmentos
Um movimento e o pincel tocou a tela despida vigorosamente, a noite assombrava era um estado maior de inclemencia, pifios pensamentos convulsionavam seus vulcões da mente, ao pintar o artista se concebia, experimentava uma auto concepção fetal enevoada. precisava daquela ciência sem entender dela, manipular a substância da cor do bem e do mal , precisava dessa força do desejo, da transgressão daquele canvas inominavel, o que vinha e o que sempre faltava não sabia mas tinha uma incontida ansia de respirar mesmo que se dissolvesse na pincelada,. que se perdesse sempre diante da mancha como se perdia, sentia a carnadura da pele da tela , a gravidez do abismo, a semente inchar, a pústula crescer, as cicatrizes emergirem em flores mortas, marcação a ferro ,o riso do eterno do instante, a loucura da fera do paraiso, onde iria parar nas entranhas no experimento das fendas do labirinto das partículas da tela eram vocábulos da crosta de uma escrita que precisava ser dita,Mefistofeles de Goethe lhe grunia aos ouvidos palavras de pinceladas do eterno, rebuscava agora com as mãos aquele corpo da tela palco de cinzas e ossos, via o louco em orgasmo quântico rir entre as camadas de tinta sutis de sua obra inacabada, agora já serpenteava em volutas com o cadáver do pincel entre escombros, nao sentia mais a nudez...
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