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Sensíveis Cordas!

Textos

 

 

                   O Ponto

 

 

 Ela abriu o caderno de anotações e lembrou do livro de areia de Borges, aquele que ele  adquiriu do vendedor de bíblias, o livro sem começo nem fim,   enquanto folheava o  caderno com a maioria de folhas em branco lembrava de  milhares de outras ja escritas, perdidas,  desde quando nao saberia precisar, sentiu-se como um   ponto deslizando sobre um grande plano cosmico a construir  sua linha quiçá  fosse sem começo  nem fim, a vida é  tão curta  para tão  imensidão  de alma pensou em   Gregor Samsa, a barata de Kafka , que mesmo inseto se escondeu atrás da porta para escutar  a irma tocar piano, tambem tinha sede de música,  ser ponto implicava em caminhar escrevendo pelo chão  com seus mil pés como uma barata  uma linha infinita de pegadas sobre a areia  e poderia nao ter começo  nem fim, ser ponto lhe intrigava, era movimento e silencio, vento e lápide, vaso solitário à mesa com  flores do tempo testemunhando a insolitude das intimidades , este ponto  que pulsava solidões podia senti- lo nas batidas do peito, sua alma quântica lhe dizia da dor das vértebras de cada dia, anotava no caderno de areia a perturbação, não conseguia admitir o Deus biblico de matanças, era contraponto ao ponto de luz que iluminava agora sua janela, abriu as cortinas os vendedores de biblias e de palavras biblicas continuariam a domesticar os domingos das solitudes, seu ponto de interrogação continuaria a pisar nos pregos enferrujados, nos cacos de vidros, nas pestilencias da carne, nas espirais do silencio dos mortos vivos,  ela  seria devaneio  sobre o plano das ideias, certamente reminiscências da alma que ainda precisavam se banhar no rio do esquecimento de Platão, era agonia e tabula na memoria, tudo começava no ponto e também não começava....

 

 

 

Lilian Reinhardt
Enviado por Lilian Reinhardt em 21/06/2026
Alterado em 20/07/2026


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