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Sensíveis Cordas!

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              Retrato em branco

 

 

A tela branca e o remoinho de reticências parecia respirar um poema morto, tintas que morriam repetiam a nudez e esta não  sincronizava com algo que  agora emitia uma luz nada bruxuleante   e não era  vagante este lumiar , ela assentiu estar no habitat do misterio ,   aquele que  não  encobre os ciclopes, as  Circes que embatem nas curvas dos pelagos da viagem, lembrou de Odisseu,  sentia estar- se, apenas precisava  pintar mas o desenho se dissolvia na tela do olhar,   a luz crepitante desaparecia  e o borrado como nuvens pesadas e ameaçadoras descia sobre a face fugidia que  mirava, quem és  tu indagava, por que vens até  esta janela com essa sombra  escura como o corvo de Poe, seria  de  bom alvitre pensou buscar o oráculo  e saber por que Zeus persistia com a escuridão   para cegar os homens  a viver  no breu  ....sentiu os gritos atordoantes do manicomio de Saramago no ensaio dos cegos, certamente não  vemos nada pensou,  animais ditos racionais   são ainda  embrionários de civilizações e camas quânticas com  sintomas abertos de um abissal escuro....  era um deles, enquanto observava  a tela em branco o instante  lhe  evocava das multiplas disfunções  de identidade que a cegueira pode acometer ao homem, sentiu um frio gélido percorrer os degraus   das vértebras, seriam essas múltiplas  faces de cada dia uma folha de seu rosto, indagou-se, encostou-se sobre a árvore do tempo, agora era ausência por um instante  como na tela em branco à  sua frente,   sentia  penumbrar no recondito  da caverna,   era sombra  doída e faminta,  talvez aquele  retrato   em branco  no cavalete não fosse  uma mancha cega  no rio de Heraclito  quiçá   fora do breu....abocanhou a noite das tintas.

 

 

 

Lilian Reinhardt
Enviado por Lilian Reinhardt em 13/06/2026
Alterado em 20/07/2026


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