LilianreinhardtArte.prosaeverso.net

Sensíveis Cordas!

Textos

         

 

     Quando cessam as sensações  porosas da

           densidade

 

 

 

      Como pintar a cena, ela reflexiona, a emoção   nao  se define, a semantica  trava, o olho se perde no oceano da gota,  se afasta do cavalete pega a garrafa d'agua, um sorvo quase um engasgo, um borrão  imenso na alma ,ela cai  sobre o sofá do atelier  com o pincel  na mão,  imagens centelhas  circulos,ondulações em cachos,floresciam rosas trepadeiras, oráculos de abelhas na entrada da varanda e  entre dois travesseiros uma mancha negra como um disparo na parede,  lonjuras que ainda crepitavam e o silencio moldava as formas, era preciso sobreviver às armas e as balas é preciso velar as    metáforas  pois estas  vem do fundo e a consciência  não  consegue abarcar,  aí  está Schubert, o portal sangrou entre gotas ela sentiu teu rosto, a transparência dos alvéolos , as notas da ressonância  onde as palavras inexistem, há  instantes do encontro que cessam as sensações porosas da densidade e se desnatura o corpo sólido,  a tela adormece no corpo etereo, a mancha negra é  sentido ao útero  e orgasmo da luz, lentamente se despe em escamas e não tardará a dissolver-se em si própria.  Lembrando de Borges  eu não  posso evidenciar  com clareza  sobre a pintura e a artista, só  soube   que ela despiu-se  da densidade do quadro e escutou  alguém  que a esperava  onde palavras tintas não  podem acessar....

 

 

Lilian Reinhardt
Enviado por Lilian Reinhardt em 22/05/2026
Alterado em 20/07/2026


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras