Quando cessam as sensações porosas da
densidade
Como pintar a cena, ela reflexiona, a emoção nao se define, a semantica trava, o olho se perde no oceano da gota, se afasta do cavalete pega a garrafa d'agua, um sorvo quase um engasgo, um borrão imenso na alma ,ela cai sobre o sofá do atelier com o pincel na mão, imagens centelhas circulos,ondulações em cachos,floresciam rosas trepadeiras, oráculos de abelhas na entrada da varanda e entre dois travesseiros uma mancha negra como um disparo na parede, lonjuras que ainda crepitavam e o silencio moldava as formas, era preciso sobreviver às armas e as balas é preciso velar as metáforas pois estas vem do fundo e a consciência não consegue abarcar, aí está Schubert, o portal sangrou entre gotas ela sentiu teu rosto, a transparência dos alvéolos , as notas da ressonância onde as palavras inexistem, há instantes do encontro que cessam as sensações porosas da densidade e se desnatura o corpo sólido, a tela adormece no corpo etereo, a mancha negra é sentido ao útero e orgasmo da luz, lentamente se despe em escamas e não tardará a dissolver-se em si própria. Lembrando de Borges eu não posso evidenciar com clareza sobre a pintura e a artista, só soube que ela despiu-se da densidade do quadro e escutou alguém que a esperava onde palavras tintas não podem acessar....