Debruço sobre os andaimes da noite a carrear fragmentos indecodificaveis de construções inacabadas ...Uma gole de chá à mesa do silencio noite gélida de dolencias, algum tempo antes aquela noite aquele vinho, olho no olho e sombras se ocultando ele a observava com olhos perscrutantes parecia querer irromper o seu colo ao viés da mirada através a blusa branca rendada, nao estava acostumado àquela leitura austera degustava instantes e ela sentia a cada sorvo de vinho a teia espacializar os fios cada vez mais das camaras daquele labirinto, ainda ontem haviam conhecido Virgilio e celebrado suas efemeridades no cáustico fogo da comedia de Dante agora eram sombras desenhadas frente a frente a borrar os versos epicos compostos de uma enigmática lira inacabada... frente a frente no tempo celere que se consumia aportavam um frente ao outro com os jarros alquebrados em distancia sideral, estrangeiros , sem versos, sem história , sem a doce espera vivenciada com Bethoveen, momentos em que houvera a entrega sem alinhavos de almas ...agora mais uma noite gélida se avizinhava com mais uma madrugada, ela havia percorrido muitas câmaras daquele labirinto, desde que embarcara no rio daquela ousadia , nao titubeara a enfrentar o que destino colocara em oferenda de delirios à frente de sua estátua de barro, enfrentar uma viagem arqueologica cega por afeto, sabia da morte espreitando entre os corredores densos das palavras lubricas que encantariam a serpente das horas das ilusões que trazia consigo, respira agora fundo , a dimensão é outra, um outro gole de chá, o vivenciado se torna indizivel pensou, sabia de uma escrita num pergaminho que lhe dizia nas células de po', o vento pode cantar aos ouvidos retumbantes canções e também cuspir longe além das montanhas azuis...mas pode também perder-se na dança de seu remoinho...