As vezes passava noites pincelando madrugadas e diante da aflição incontida abria a janela da cápsula para contemplar o enigma daquele céu de angústias que sentia tão grandioso e desafiador na fita de Moebius que nao cabia dentro dos olhos da carne quiçá lhe ajudasse Horus e assim riscava um abissal traço a carvao na ja tao marchetada tela sob a qual se deparava com aquela incoerência inexplicável de se angustiar. diante daquelas estranhas noites de suas reflexões ,o silencio de repente abruptamente entrecortado por uma monstrenga maquina que tentava afundar a rua, um gole de agua que parecia ter gosto de sal ,. a noite também era Pegasus pensava, levava aos lugares mais inextricaveis e o pescoço atolava, e a alma podia se perder fora do corpo. Ah os beijos das ilusões como faziam falta pra cismar a pele do minotauro procurando redenção...pensou. As noites tambem sao salgadas. Antes lia poemas de amor sem questionar o subterraneo dos versos, de repente o estampido bruto na carne da alma, quantos seriam verdadeiros e quantos estariam sendo escritos sobre o cadaver de alguem vitima de algum barbarismo. Neruda rejeitou e abandonou sua unica filha nascida com hidrocefalia e seus poemas de amor se diluiram pensou, se deparou de repente com uma horrenda realidade sobre poemas de amor que podem nascer mortos, ou sobrevivem como liras letais , venenosas, como ideias tambem podem navegar como as do iluminista Rosseau no seculo XVIII que teve cinco filhos e os abandonou a todos num orfanato... historias de areia como as do livro de Borges e outros, a história não perdoa, nao adianta trotar o cavalo do vizinho, poemas de amores roubados serao sempre filhos da incoerência entre vida e obra que se entrechocam e sem essencialidade versos podem nascer mortos, apenas registros de substancias sem rastros , de ave sem asas ... Sem entrar em discursos retoricos, epistemicos, não conseguia separar a obra do autor. Quem gesta desova sua interioridade na obra pensava. O cordao umblical elo da vida entre criador e criatura cinzela o que se produz !Tomou mais um copo da agua, as estrelas pareciam conversar no ceu, nem um risco por enquanto anunciando mudança ou transfiguraçao no rosto da manhã por nascente...respirou fundo, uma tenue brisa ainda soprava-lhe a lágrima deserta...
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