Ela adentrou a sala com um pequeno espanador para tirar o po' dos livros, parou diante da grande estante e ficou a percorrer os titulos das lombadas, ali nao estavam apenas escritas ou tomos esparsos de registros do conhecimento humano , ideias, vivencias, experiencias, mundos, pensou, ali estavam seres vivos de todos os tempos com suas digitais vivas, profundos depoimentos do pensamento humano, criações ,escavações da alma , ali mundos vivos respiravam, sentiu como se os livros a tivessem olhando, podia escutar sua respiração, eram criaturas vivas, tinham rostos, corpos, as palavras vibravam ,nao estavam compactadas em arsenais de celulose, compunham um grande fluxo de letras, de átomos em órbitais danças cósmicas, galáxias do infinito universo, de vozes , transcritas vibratoriamente por sinais semânticos, ideogramas, hieroglifios trazendo a genesis de uma episteme, da arcaica lavra da mutação
da epiderme primordial dos ossos dos tempos,signos da palavra sonora da vida e da morte em sons cósmicos vibrando em tons acima e abaixo de oitavas, em alfabeto quântico numa grande escala cosmica de seres, ali Heraclito banhando-se no rio de fogo da alquimia celeste, compêndios jurídicos em insolência a realidade da aplicação das leis, poetas guardiões dos sonhos e dos gritos da morte,Aristóteles investigando a natureza, Platão espelhando das ideias a fragilidade dos sentidos na percepção do mundo, na caverna entre as sombras, minotauros famintos , asterions de Borges, gritando, suplicando pela redenção, pelas uvas impereciveis da vindima do amor, estaria ela a delirar em reverencia insólita esse visão, tinha convicção que .passou o espanador sobre os livros da primeira prateleira, o po' evolou em particulas de sismicas fagulhas ela viu, seriam sopros de suas almas, certamente, ela sentiu que estava subindo compassadamente um degrau, e adentrando milenios passados, talvez fosse o pórtico de Éfeso, Delfos, Aton, ou a floresta na Atlantida perdida, não sabia' apenas deixou- se conduzir por um rastro profundo de um suave olor de incensos sob a penumbra ancestral de suas reminiscencias , um suave cantico ressoava das profundezas de grandes cámaras veladas , abriu serenamente os olhos, estava dentro e fora ,
, entre páginas, folha viva....