Acordo no meio da noite, em redimensao de mim ouvindo acordes distantes de uma ária classica e tu de repente surges do nada. A palavra também obedece a lei da dualidade e o nada tem oposto e foi assim com certeza que a Venus de Boticelli saiu da concha, na fundação do amor, mas, Wittgenstein surge e tratora minha semântica o que queres pergunto ,diz de respirarmos juntos e um volatil fio brilha por segundos na órbita do meu mundo mas, já despenco a sentir o frio das horas congelar os mais lascivos pensamentos dos meus ossos. Por que tenho que me entregar assim ao fio das tuas palavras, aos teus cortes e sopros que dilaceram se conheco a irrealidade desta fugaz pintura. Acendo meu lençol quântico e volto a dormir, sem projeção do que nao creio mais, furtando-me ao cheiro da tua pele materializar tua presença. Viro- me no travesseiro, quero afastar de mim este madrigal mas quanto mais me afasto mais me aproximo.Será que estarei morrendo....faço uma ascensão lírica para expurgar tua lembrança. Esta prancha é apenas mais um poema inexistente a fecundar o nada, fico com Dante Alighieri em infernal graça "muito pouco ama quem com palavras pode expressar quanto muito ama"!