Um dia nasceu ....costumava pegar na lira dias e noites, tocava para escutar-se, a sentir que ainda estava vivo....quando ela o conheceu perguntou- lhe voce existe e tocou- lhe o braço, vamos por aqui disse ao sair ao portal e um largo sorriso iluminou-lhe o rosto. - voce chegou mandando em mim respondeu com um pueril olhar provocador . Ela não sabia dizer o que o fazia viver intenso dogma cartesiano , e preferir tocar seus lirios somente para si mas sentia pela teia de seus cantos o grão explodindo a propria pele. Levou-lhe um punhado da terra natal e qual não foi seu espanto ao ver dentro do pacote uma formiga viva apos longas horas e que não foi percebida ao se colher a terra quente. Ah como perdia-se entre flores,formigas e vulcões na insolita insígnia dos sentidos mas, a palavra ente vivo tem eco,ressoa, e assim precisava cantar seus hexametros como na antiga Grécia,
mesmo quando a bem querencia entre ambos foi atingida por um raio brutal e muitas vezes o foi ela nunca deixou de escuta-lo em suas litanias e a tentativa dele de comunicar-se pouco tempo antes de partir a sangrava muito. Havia nascido para cantar e sua coleção de estrelas sabia ser fugaz desatino do rio de Heraclito pois quando partisse chorariam muito por si próprias e suas mortalhas e não pelo seu canto que nunca entenderam....