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Sensíveis Cordas!

Textos

              Da cama vira-se e vê  na  superficie   do criado   mudo um pequeno  besouro  caminhante como numa  planicie rumo ao beiral do movel . Ele anda lentamente   sobre o plano superior do bidé como num imenso campo, pára, segue em linha reta, vira em curva, revolve as antenas como a buscar um itinerario e se descobre em derredor de uma  pequena garrafa d'agua mineral, como um farol na paisagem, entretanto, não o escala , caminha como estar buscando por algo em terra, uma trilha, uma direção,  afinal já  esteve diante e proximo de tantos perigos e assombrado retorna  e agora 

  volta a pontilhar suas passadas  em linhas quebradas  e  de repente se vê diante  da ponta da superficie do mobiliário e pára  observando o precipício.  As antenas tremulam não arrisca nenhum passo o que seria fatal se nao puder valer-se das asas.Fica ali a contemplar o abismo movendo as antenas como a coça-las na sua inquieta caminhada de inseto , é apenas um  besouro ,não um escaravelho,  não  traz genealogia real , é  franzino,  um ser  infimo e a imensidão  à  sua frente além da ponta da planicie ou do beiral do criado mudo é desconhecida e pode ser letal. Fica assim às bordas do precipício com as antenas quase em hélice mas não tem como ousar enfrenta-lo,não tem a graça e a sabedoria  das abelhas ,nao tem  missão, é um comedor de pulgões, de ossos de mosquitos, caminhante entre flores e espinhos e luta para  sobreviver às teias e intempéries, faz meia volta   sente algo estranho diante daquela imensidão  insolita à  sua frente e decide   escalar  à garrafa d'agua azul, ela é trasparente, consegue ver sua própria  sombra refletida, quer enxergar o que há adiante,o que há dentro,tem curiosidade, esta  acostumado à escarpar  ingremes costados mas, do farol o universo pode ser diferente,  quem sabe possa  ver mais de perto as estrelas, ou até    ouvi--las como Bilac, ou conta-las como fazia o  poeta com sua lata de vagalumes  que  deixou cair no rio....- Estou te ouvindo- escuta uma voz roufenha, a vida é assim esvaziante, continua, continua,completa a voz e o inseto a reconhece, ,pára  por instantes, cruza novamente  suas   antenas uma sobre a outra ,   a voz lhe remete a uma dolente  nostalgia,  mas, como ver além da neblina,  como decodificar o atordoante sonido da saudade  , está só  naquela aventura e nem lembra como chegou  até ali, foi caminhando,  irrompendo por entre páginas   da natureza que nunca conseguiu  entender   que encontra  aquela súbita torre no caminho... A cada volta avista o que nunca tinha enxergado antes, e assim segue cansado , deslumbrado com que vê ao  escalar a pequena garrafa de agua e consegue finalmente  chegar quase ao cume  ,saga, dali pode ver sombras  dantescas de coisas que nunca vira antes, onde estaria, o que seria tudo aquilo e percebe que há mais um elevado a subir, é o gargalo da garrafa. Nao titubea num instante esta  no cume do farol, onde há  a rotação  da grande lanterna e suas lentes,não traz  nenhuma flor para fazer um discurso como Buda, só  o cansaço , fica extasiado ali no topo ,no cume sobre a boca aberta da misteriosa da garrafa,

um poço que reflete o céu, tem o perigo do  labirinto interior, agora  as antenas o abraçam, o inseto contempla a imensidão, dali  pode enxergar o que os humanos nao conseguem ...

 

Lilian Reinhardt
Enviado por Lilian Reinhardt em 24/02/2026
Alterado em 25/02/2026


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