Sou viajante na terra do sol. A poeira cósmica escreve meu destino. A angústia companheira arrebenta a alma.É solstício de verão. Frutos muitos e pães expostos. Não quero ver o que vejo então indago a ela. - Onde estás , estou precisando de ti ,!!!!falo como que descompassadamente. Volto à esquina dos verbos e não quero ver o que vejo numa vitrine, sem acasos. Já não sei onde está minha medula, e não posso pedir as essas letras que registrem tragédias mais desta cidade. As letras respiram, são seres vivos , almas pensantes cumprindo destinos, carregando suas cangas e devo cumprir a minha nesta rota de viagem insólita - Vi o que viste, finalmente ela responde. Muito grave, muito grave diz, vestir-se de letras que não são as próprias....então vi as mãos de minha mãe amassando o pão numa bacia grande de aluminio, pondo para crescer e depois assando. E na hora sexta do crepusculo quando ela viajou para as estrelas ainda havia pão no armário que fizera no dia anterior. E escavei os grãos dos sentidos porque sei que um dia alguém pôs fermento na massa e amassou na bacia as suas letras, também, tão reconheciveis e mesmo que tivesse pensado em oferecer esse pão a alguém e o tivesse até dado a alguém, esse alguém jamais poderia dizer que foi ele quem fez esse pão, muito menos expo-lo em vitrine como seu...curvo diante da noite peregrinando nas calçadas das horas e ouvindo o ruído incessante dos silencios, viajante entre arcos e iris , velas acesas na abóbada sideral, ..as vezes desenhando as vozes que ouço, as vezes sentindo um amargo cheiro de pão...