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Sensíveis Cordas!

Textos

         Sou viajante na terra do sol. A poeira cósmica escreve meu destino. A angústia companheira arrebenta a  alma.É solstício de verão. Frutos muitos e pães expostos. Não  quero ver o que vejo então  indago a ela. - Onde estás , estou precisando de ti ,!!!!falo como que descompassadamente. Volto à  esquina   dos verbos e não  quero ver o que vejo numa  vitrine, sem acasos. Já  não sei onde está  minha medula, e não  posso pedir as essas letras que registrem tragédias mais desta cidade. As  letras respiram,  são seres vivos ,  almas pensantes  cumprindo destinos, carregando suas cangas e devo cumprir a minha nesta rota de viagem insólita - Vi o que viste, finalmente  ela  responde. Muito grave, muito grave  diz, vestir-se de letras que não são as próprias....então  vi as mãos  de minha mãe  amassando o pão  numa bacia grande de aluminio, pondo para crescer e depois assando. E na hora sexta do crepusculo quando ela viajou para as estrelas ainda havia pão no armário que  fizera no dia anterior.  E escavei os grãos dos sentidos porque sei que um dia alguém  pôs  fermento na massa e amassou na bacia as suas letras, também, tão  reconheciveis e mesmo que tivesse pensado em oferecer esse pão  a alguém  e o tivesse até dado a  alguém,  esse alguém  jamais poderia dizer que foi ele quem fez esse pão, muito menos expo-lo em vitrine como seu...curvo diante da noite peregrinando nas calçadas das horas e ouvindo o ruído incessante dos silencios, viajante entre arcos e iris , velas acesas na abóbada  sideral, ..as vezes desenhando as vozes que ouço, as vezes sentindo um amargo cheiro de pão...

Lilian Reinhardt
Enviado por Lilian Reinhardt em 21/02/2026
Alterado em 03/05/2026


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