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Sensíveis Cordas!

Textos

                     Apenas um balcão separando um ambiente  e um balcão  pode se erguer  como uma muralha a separar cidades, milhões  de pessoas, e quem se dá  conta de pensar sobre um balcão como um grande obstaculo, uma linha de fronteira perigosa, entre nações,  destinos, uma muralha que pode estar demarcando o invisivel rosto do imponderavel. O que um singelo balcão  divisório de uma grande cozinha poderia representar senão ser ele mesmo  um ser semovente, sujeito a mudanças  de lugar pela vontade de quem pertence. Sei o que está  pensando, ela me olha tristemente,o que está  sentindo me diz  dolentemente. Refaço  o desenho  do imenso retangulo negro no papel da memória,  suspiro. Os cães latem, é noite, é dia, o tempo não  coalha, sempre dilata os poros. Na lousa  escrevo um poema, aspira o frescor poroso dessa terra,  o mestre me  diz é simbolista, as letras brancas brilham e refletem a verdade e a mentira também, nem toda palavra é desnuda, sempre desova vestindo e ocultando abismos, o balcao é  branco e negro entre folhas amarelecidas , enlutadas... De que lado da história voce está  sentado, no claro escuro da bancada ela me pergunta , as vezes frente a frente  na linha hedionda   com a  .miseria abissal   rastejante da dissonancia  dividindo  a mesa, o pao, a alma, os frutos da ira, da dor,     com a mais abominavel máscara do tempo  a  sua  frente e do meu anverso  respondo, ainda é vida... amasso o papel, outro desenho ...

 

 

Lilian Reinhardt
Enviado por Lilian Reinhardt em 20/02/2026
Alterado em 22/02/2026


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