Há dias que as horas não passam, que a roda de Ixion amola mais os gumes na carne da alma. Como se fosse possível adiantar o relógio da forja para algo que não se tem compreensão do que seja mas, que nos impele pela ansiedade persistente de rumar .Olho o meu cenário em volta e pranteio essa melancolia dessa
profunda dor sem nome. A barcaça segue no rio de fogo de Heraclito , jacarés e crocodilos espreitam, borboletas vagam ,o azul do céu é cinza e o neutro da alma escurece a cor do mundo. Vejo-me sentada numa cadeira de palha, ainda não tenho dez anos, mãe penteando minha longa trança e se Van Gogh tivesse visto a cena teria me ensinado com seus pincéis a compreender que estou ainda viva, dentro dessa criança que chora.!