Ao meu amado irmão Jorginho
A imagem é ainda latente! Na contra-luz da moldura da porta da cozinha a silhueta do menininho que não tinha mais que dois anos sentado no peniquinho aprendendo a fazer coco longe das fraldas. Um desenho singular no espaço tempo da vida acontecia e uma observadora amorosa contemplava mesmo que esta ainda nao tivesse dez anos de idade. Mas a vida grava em nossa interioridade os quadros que pinta, que esculpe ,modela. Aquela criança sentadinha num urinolzinho modelada naquele instante se fez arte na tessitura do meu olhar ,se fez eternidade, além do vivido. Camisinha de bolinhas pequeninas verdinhas, vermelhinhas e brancas costurada pela mãe, lambuzada nos beirais do peitinho de resquicios das mamadeiras, cabelos acastanhados claros em caracois de anjo, choramingava em ter que ali ficar sentado até aprender o que ainda não conhecia. Ah, irriquieto querubim do penequeninho de plastico...o tempo cresceu ou foi voce que por aqui passou e pintou essa tela para o infinito da vida....