Zocha menina moça sonha todos os sonhos do mundo mas, a realidade dura é escura, densa e ela vai irrompendo a densidade dessa neblina com seus sapatos de sola de pneu para suportar o atoleiro de lama da rua Goiás todos os dias rumo ao Colegio rígido das freiras alemãs. Cada dia um choque de realidade com o que vivenciava no grande educandário de elite que seu velho pai fidalgo e culto a colocara e a sua irmã e o quotidiano doméstico em que vivia. A educaçao primorosa, o mundo elevado das ideias e a realidade dura do pai ausente quando chegavam em casa, pelas circunstancias, pois a vida o dividira entre duas familias....o subúrbio em que moravam parecia tão distante...a vizinhança fofoqueira, as valetas a céu aberto....o jardim trancado a chaves... Da varanda podia ver as dalias de dona Sofia do outro lado da rua..daqui há pouco o polaco de cabelo lambuzado e de grandes olhos verdes ira aparecer na pequena varanda rodeada de dálias com os olhos mirantes às meninas do colegio à frente de sua casa...o que estaria a pensar o jovem sonhador ...Zocha também sonhava mas, seu sonho era realidade, acabara de encontrar o primeiro amor e nao era o polaco filho de dona Sofia....era aquele que deveria ter sido....seria o primeiro sempre único? As pessoas ainda amam....o salto quantico do tempo e o agora ainda em cena, a menina de cabelos alourados ja esbranquiçados, ontem em camadas no inconsciente, carroçoes do tempo voadores aprisionados nas lágrimas, ruídos para acordar o proprio tempo interior que jamais morre... Zocha se ve olhando as montanhas da minuscula janela do sótão do velho chale polaco de madeira com lambrequins onde nasceu....
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Uma avalanche de horas e o tempo parecia escorrer entre os fios de cabelo da jovem educanda que escrevia seus poemas de amor ainda nao vividos. Nao tinha como mudar aquele cenário. Teria que conviver com ele e abrir e fechar as cortinas todos os dias no
palco, um pequeno palco e grande que uma hora tinha comida na mesa e outra hora nao tinha e que mesmo assim nao podia perder as aulas mesmo com fome...
Do outro lado os pais vinham buscar as colegas com seus confortaveis carros e ela descia a ladeira rumo ao ponto de onibus....desenhava com seus passos uma dança ciclica entre as ruas e os ruidos da grande metrópole ...entre as sinaleiras e as buzinas frenéticas, a inercia da grande fila a esperar o onibus, a ir em pé no ritmo da fleuma do veiculo parando a cada poucos quarteirões percorridos...quantas vezes entulhado, ia espremida entre odores e historias que estavam acontecendo a cada personagem que sentado ou em pé ela fixava como o sentir de seres que nunca veria mais...
...a vida parece trazer de proposito sempre personagens para descarrilar a caminhada dos ingenuos ou dos buscadores... Estes em princípio acham que todas as pessoas estão no mesmo nivel de consciencia que a deles e quando percebem surge uma hilaria estátua viva da vaidade e da egolatria para roubar dos recém chegados à ela ( vida).....sao amizades, aproximações, perfumes que encantam, palavras que faiscam sedução, em qualquer lugar, em qualquer tempo da viagem....entre caminhos multiplos personagens no palco resvalando-.se.....