Eu fugi de ti ,é inexplicável. Sim eu fugi de ti e ao mesmo tempo tinha uma ansia incontida de não fugir. Mas era preciso fugir. Quando estendia os braços um peso cortava como um fio doloroso as minhas asas. Quando tu colhias algumas flores inebriava-me o perfume que exalavam mas eu sabia que não podia recebe- las. Não podia dizer o por que.O vento logo soprava e eu via o aroma delas esvanecer-se e logo depois um vazio imenso a toldar mais a infinda distancia que nos envolvia O mundo ria, as palavras se eriçavam, tudo parecia panfleto, no palco os protagonistas pareciam encenar uma tragi comedia que alimentava a sanha da plateia. As palavras criam espetáculos e de repente nos transformamos em pantomimas a preencher os vazios das entrelinhas das pessoas... E la vinha voce com o seu cantarolar a beira d'agua com suas pesadas telas às costas, sempre buscando os corvos no trigal ...como Van Gogh suas telas gritavam e o eco ressoava as raizes que procuravam as entranhas do mundo....ah eu sentia em mim aquelas pinceladas de suas telas que gritavam , as vezes pareciam perdidas, sem sentido, absurdo estarem ali expostas com suas digitais de sangue , tão itinerante com avidez de não morrer na ampulheta se faziam eternas... os instantes feneciam alhures as suas telas , elas tinham olhos de eternidade e eu era apenas uma mera observadora, proibida de receber suas flores, catavento assinalava meus
tempos de voos, tu estavas além do vento que acariciava e afugentava o tempo que escapava...nunca pude furar minha bolha, flutuava eu entre as fissuras do devaneio de um estranho peso sonoro de ser, ...te sonhei no espectro e seus raios embevesceram minha escuridão porem, haveriam travessias que perfurariam o cristal da minha lágrima e eu sempre soube disso....