É madrugada
os cães ladram na aldeia
em nostalgia languida
fico imaginando o pintor Delacroix
pintando na madrugada
enquanto latiam os cães
assim escreveu ele em seu diário
no inicio do século XIX
Noturnos da solidão
viro as páginas do diário do
meu silencio
os cães latem desde o genesis
enquanto latem Calígula
tortura no calabouço os escravos
Roma ainda ontem massacrava
com seus soldados por onde passavam e o pequeno ditador
massacra os incautos
sob a estátua
em Pompeia o grito dos cães
ficou petrificado
Mas o sol nunca apaga
mesmo
sobre o tirano ainda no ventre
Maldito sémen que gera um ditador
Abençoados sejam os caes
de todas as eras com seus alaridos
guardiões das noites e dias
da passagem do homem que busca a arte da paz contra toda tirania sobre a terra